Tenho 46 anos. As pessoas me dão menos, dizem que sou “bem conservada”, mas não adianta: tecnicamente, sou uma coroa. Sempre fui “revoltada”. Lembro que fiquei inconsolável em 1984, aos 14 anos, quando minha mãe me proibiu de ir ao comício das Diretas Já na Candelária. Depois disso, lembro de ter tentado me infiltrar numa manifestação dos caras pintadas em 1992, contra o Collor, mas me senti muito “coroa” para estar ali. E olha que eu tinha só 23 anos. Acontece que, quando tinha metade da minha idade atual, talvez estivesse muito preocupada com a opinião dos outros, não queria “pagar mico”. Aos 46 anos, bem, depois de ter pago tantos micos que daria para povoar um santuário de vida selvagem na África, eu simplesmente parei de me preocupar com o que os outros estão pensando. OK, estou quase chegando no presente. Veio 2013 e a desgraça absoluta que foi Marco Feliciano na Comissão de Dir...
Registros de deslumbramento e perplexidade. Reflexões sobre a vida. Por Luciana Guerra Malta.