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Mostrando postagens de março, 2015

A felicidade na era das redes sociais

     Em primeiro lugar, ser feliz não é “parecer” feliz. Gente que parece feliz é o que mais se vê na rede. Há pessoas que montam farsas, inventam histórias, criam para si contos de fadas. Ser feliz é, obviamente, estar em paz consigo mesmo. E se você está de fato em paz, não vai se preocupar em aparentar felicidade.      É natural que façamos uma espécie de edição dos melhores momentos de nossas vidas. Isso é saudável. Realmente, não parece ter sentido perpetuar um mau momento numa postagem. Outro dia assisti a uma palestra sobre gerenciamento de tempo em que foi dito que o passado deve servir basicamente para o estabelecimento de metas. Isso quer dizer: aprenda com suas experiências, mas não fique revivendo o passado, porque isso só vai atrapalhar o seu presente.      Posto isso, voltemos à tal felicidade. Vida perfeita não existe. Por mais que a vida de alguém pareça perfeita nas redes sociais, aquela pessoa tem ...

Perdas e Ganhos

      Tive meu primeiro contato brutal com a morte aos 15 anos, quando perdi um irmão. Outras perdas vieram, mas todas me remetiam sempre à perda primordial. Parece que quando morre alguém amado morrem os sonhos e, portanto, o futuro. Aos poucos, vamos enxergando de novo o presente, vendo a beleza aqui e ali. Então, pronto, os sonhos voltam. Outros sonhos, porque também não somos mais os mesmos.      E o silêncio. Talvez o pior de tudo seja o silêncio. A morte de um ente querido faz com que se abata sobre nós um silêncio em que só cabem perguntas e nenhuma resposta. Lentamente, a vida vai fazendo outras perguntas. As perguntas não respondidas em relação à morte continuarão, mas como o tempo não para, vamos nos ocupando em achar respostas para as novas questões que o cotidiano suscita.      Recentemente, vi duas atrizes elaborando suas perdas no palco. Uma amiga que perdeu a mãe e dias depois estava no teatro, interp...

Hamlet & Alice

      Revi Hamlet recentemente. É impressionante como cada fala dos personagens, sobretudo do protagonista, pode render um pequeno tratado de filosofia. Mas o que mais me chamou a atenção foi a atualidade da peça. Hamlet, o honesto, luta contra seu tio Cláudio, o corrupto que usurpou o poder depois de matar seu pai e casar com sua mãe. Uma vez que o fantasma do pai lhe pede vingança, Hamlet não tem como fugir, pois não terá paz de espírito enquanto não fizer justiça.      Na firme determinação de se vingar, Hamlet perde seu amor, mata acidentalmente um amigo, mata e é ferido mortalmente por seu melhor amigo, vê sua mãe morrer, consegue finalmente matar Cláudio e... morre. Seu último pedido é que o amigo Horácio conte sua história. A moral? Os personagens de Shakespeare são sempre complexos e ricos demais para se falar de moral, mas fica claro que, Hamlet, ao optar com firmeza pela vingança, só faz crescer seu ódio. Tomado por tal sentim...

Eu, Paris e Danuza Leão

     Outro dia estava arrumando meus livros e achei “Na sala com Danuza”. Lembrei logo da polêmica que ela provocou ao escrever uma crônica lamentando a perda do glamour nas viagens a Paris. Em algum momento, ela perguntava que graça tinha ir a Paris se agora podia dar de cara com seu porteiro por lá. Está certo, a tentativa de piada certamente embute preconceito, mas a verdade é que Danuza pertence a outra era. O mundo do qual ela fala, que criou suas referências e seu modo de ver as coisas, não existe mais. Lembro do Jorginho Guinle depois que ficou velho e foi morar num quarto no Copacabana Palace. Ele tirava foto com turistas. Do antigo Jorginho, o sorriso e a classe, mas seu mundo e sua fortuna já tinham desaparecido há muito tempo. O mundo de Danuza também desapareceu, mas ela persistiu e, para seu azar, vivia de escrever sobre ele. Para mim, tudo que ela escrevia era como um daqueles contos de “Mil e uma noites”, de tão distante da minha realidade. Por isso...

A moça e a cigana

     Ela anda distraída pela rua quando uma mulher vestida de cigana segura sua mão e pergunta:      - Você quer conhecer o futuro?      Ela livra a mão com suavidade, sorri e responde:      - Não, eu quero fazer o futuro. Luciana Guerra Malta - 10/03/2015

J.K. Rowling e os benefícios do fracasso

     "Então por que eu falo sobre os benefícios do fracasso? Simplesmente porque fracasso significa se despir do que não é essencial. Eu parei de fingir a mim mesma que eu era diferente, e comecei a orientar toda a minha energia em terminar o único trabalho que importava para mim. Se eu realmente tivesse alcançado sucesso em qualquer outra coisa, eu poderia nunca ter encontrado a determinação para ter sucesso naquela área na qual eu verdadeiramente acreditava que pertencia. Eu estava em liberdade, porque o meu maior receio já tinha sido realizado. Então o fundo do poço se tornou a base sólida sobre a qual eu reconstruí a minha vida."

Beijo no ombro para seu maior inimigo

     Muita gente acha assustador ter um inimigo. Eu também já achei, já pensei que era horrível e, até, perigoso, ser alvo de ódio. Mas, aos poucos, lidando com uns poucos inimigos declarados, percebi que, definitivamente, não era capaz de odiá-los. De repente, eu comecei a pensar que eles tinham lá suas razões para sentir o que sentem – afinal, tenho mesmo meus defeitos, claro. Mas o fato é que, se os amigos nos veem com lentes cor-de-rosa, os inimigos nos veem com lentes para lá de escuras. Assim, diante de seus olhos, nossos maiores defeitos são potencializados e, outros defeitos, até inventados. Porque o ódio, ao contrário do amor, limita a visão. Uma vez que você tenha escolhido o viés negativo, não vai enxergar nada de positivo.      O pior inimigo é o melhor, pois ele é fiel: sua dedicação ao estudo de nossas vidas (torcendo por tropeços, claro) mostra o quanto somos, no fundo especiais. O verdadeiro inimigo faz de tudo para ser notado, ...