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A felicidade na era das redes sociais


     Em primeiro lugar, ser feliz não é “parecer” feliz. Gente que parece feliz é o que mais se vê na rede. Há pessoas que montam farsas, inventam histórias, criam para si contos de fadas. Ser feliz é, obviamente, estar em paz consigo mesmo. E se você está de fato em paz, não vai se preocupar em aparentar felicidade.

     É natural que façamos uma espécie de edição dos melhores momentos de nossas vidas. Isso é saudável. Realmente, não parece ter sentido perpetuar um mau momento numa postagem. Outro dia assisti a uma palestra sobre gerenciamento de tempo em que foi dito que o passado deve servir basicamente para o estabelecimento de metas. Isso quer dizer: aprenda com suas experiências, mas não fique revivendo o passado, porque isso só vai atrapalhar o seu presente.

     Posto isso, voltemos à tal felicidade. Vida perfeita não existe. Por mais que a vida de alguém pareça perfeita nas redes sociais, aquela pessoa tem certamente tantos problemas quanto você. O ser humano, em essência, é a mesma coisa: um monte de certezas e incertezas, seguranças e inseguranças, dores secretas e alegrias inconfessáveis. Enfim, seja qual for a vida daquele ser virtual que você vê de forma bidimensional (chapado na foto), saiba que ele é real e tão complexo quanto você. Isso significa que você não pode ler seus pensamentos, nem saber quais são seus verdadeiros sentimentos e, muito menos, pode conhecer seu caráter.

     A partir da minha experiência pessoal, gostaria de compartilhar um fato: vivo bem melhor depois que passei a não ligar para as chamadas “indiretas”. Indireta é uma instituição na rede. Quem nunca mandou uma, que atire a primeira pedra. Só que a indireta sempre pode não ser para você. E muitas vezes, não é mesmo. Agora, se for, convenhamos: faz algum sentido levar a sério alguém que procura se comunicar com você através de indiretas? Se a pessoa não tem a maturidade de falar com você abertamente, é sinal de que não merece a sua atenção. Simples assim.

     Escrevo agora pensando sobretudo nos muito jovens, que tanto se preocupam com a imagem porque estão em fase de se inserir no mundo.  O que eu tenho a dizer a vocês é que não se preocupem com o que os outros pensam a seu respeito e tampouco caiam no jogo de tentar desvendar uma pessoa a partir do que ela revela nas redes sociais. Fazer isso representa, de uma forma deturpada, a tentativa de escrever a história do outro. Não caia nesse erro. Vá, viva, pague quantos micos quiser – você tem todo direito de cair e se levantar. Não se reprima, como dizia uma música de sucesso nos anos 80. Afinal, ninguém vai viver sua vida por você. E para ser feliz, guarde o conselho de uma mulher de 40: concentre-se em escrever a própria história. O resto é o resto.

Luciana Guerra Malta - 29/03/2015


 Vale a pena ver este filme.

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