Muita
gente acha assustador ter um inimigo. Eu também já achei, já pensei que era
horrível e, até, perigoso, ser alvo de ódio. Mas, aos poucos, lidando com uns
poucos inimigos declarados, percebi que, definitivamente, não era capaz de
odiá-los. De repente, eu comecei a pensar que eles tinham lá suas razões para
sentir o que sentem – afinal, tenho mesmo meus defeitos, claro. Mas o fato é
que, se os amigos nos veem com lentes cor-de-rosa, os inimigos nos veem com
lentes para lá de escuras. Assim, diante de seus olhos, nossos maiores defeitos
são potencializados e, outros defeitos, até inventados. Porque o ódio, ao
contrário do amor, limita a visão. Uma vez que você tenha escolhido o viés
negativo, não vai enxergar nada de positivo.
O pior inimigo é o melhor, pois ele é fiel: sua dedicação ao estudo de nossas vidas (torcendo por tropeços, claro) mostra o quanto somos, no fundo especiais. O verdadeiro inimigo faz de tudo para ser notado, pois ele adora ser chato. E se você estiver num daqueles momentos bons da vida em que seu coração está cheio de ternura, vai pensar que o esforço dele para não ser esquecido é, no fundo, muito bonitinho. Ele chama de desejo de vingança, mas no fundo, é mero desejo de reconhecimento.
Por fim, você vai descobrir que aquele inimigo fiel, que deu tanta importância a você que dedicou boa parte do seu tempo a odiá-lo (assim envenenando-se, voluntariamente), ensinou a você o que é compaixão. Pois o aprendizado de olhar seu inimigo com respeito e gratidão é, nada mais nada menos, que a mais pura compaixão.

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