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Mostrando postagens de abril, 2015

Para Hilda Hilst

Tudo é assim: escuridão e morte. Para mim é tudo assim. Não adianta você falar de crisântemos, de fonte, de menino, de rio. Para mim, o rio é um lago de areia movediça. Para mim o rio só puxa para baixo e sufoca. Cansada de sorrir, cansada de acreditar, cansada de inocentemente colher flores, para ser sempre ferida pelos espinhos. Ultimamente me ignoram, adoram ignorar-me. Eu, que já fui aprendiz de Madre Teresa, agora alimento cuidadosamente meu ódio. Quero me vingar de quem me ignorou. Quero que se arrependam. Mesmo que querer coisas negativas seja o mesmo que não querer, de acordo com os livros de autoajuda. Mas autoajuda só serve para quem existe para o mundo, para quem é visto. Aliás, não tenho sido ignorada, mas repudiada. É culpa do meu gênio forte. Ter opinião é uma condenação nesse mundo de gente insossa. Ter discurso é que é o máximo. Basta embalar a idiotice que for numa forma atraente, que te compram. Senão, você vai para o meio do mato, vai ser condenado a buscar...

O Cristo e os cristãos

     Amarás o teu próximo como a ti mesmo.      Ninguém, antes de Jesus, pregou de maneira tão radical o amor e a igualdade. Essa noção, de que os homens nascem livres e iguais culminaria na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1789, que em seu 10° artigo proferia:       Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.      Eis que, a Revolução Francesa, ao fazer a cisão entre Estado e religião, acabou por garantir a liberdade religiosa. Para os que não eram religiosos, o novo estado de coisas seria maravilhoso, mas para quem era religioso, por que não seria igualmente digno de comemoração? “Dai a César o que é de César”. Ao Estado, as questões da matéria. À religião, as questões do espírito.      É claro que não foi só o cristianismo que fundamentou a ...