Tudo é assim: escuridão e morte.
Para mim é tudo assim. Não adianta você falar de crisântemos, de fonte, de
menino, de rio. Para mim, o rio é um lago de areia movediça. Para mim o rio só
puxa para baixo e sufoca.
Cansada de sorrir, cansada de
acreditar, cansada de inocentemente colher flores, para ser sempre ferida pelos
espinhos. Ultimamente me ignoram, adoram ignorar-me. Eu, que já fui aprendiz de
Madre Teresa, agora alimento cuidadosamente meu ódio. Quero me vingar de quem
me ignorou. Quero que se arrependam.
Mesmo que querer coisas negativas
seja o mesmo que não querer, de acordo com os livros de autoajuda. Mas
autoajuda só serve para quem existe para o mundo, para quem é visto. Aliás, não
tenho sido ignorada, mas repudiada. É culpa do meu gênio forte. Ter opinião é
uma condenação nesse mundo de gente insossa. Ter
discurso é que é o máximo. Basta embalar a idiotice que for numa forma atraente,
que te compram. Senão, você vai para o meio do mato, vai ser condenado a buscar
fantasmas em ondas de rádio. O ser humano precisa estabelecer conexões. Se não
for com o mundo de cá, vai ter que ser com o mundo de lá. O ser humano tem um
limite para ouvir o silêncio, um limite para ouvir a própria voz, para perguntar
e ele mesmo responder. O ser humano tem um limite.
É fácil escrever as coisas que
vêm de dentro. Duro é viver com elas.
Luciana Guerra Malta - 26/04/2015
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