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Mostrando postagens de janeiro, 2019

Deus é brasileiro?

Dizem que Deus é brasileiro, mas eu tenho a nítida impressão de que ele não mora aqui. O.K., vá lá, vamos dar uma chance ao senso comum: mesmo que Ele more no Brasil (afinal, dizem, Ele mora em qualquer lugar), a gente percebe que quanto mais ateu é um país, mais feliz é o povo. São as pesquisas que dizem. Hoje medem não só índices econômicos, mas também a felicidade. E o povo mais feliz do mundo é o finlandês, que liga pouquíssimo para a religião. Aliás, a religiosidade excessiva pode explicar muito desse nosso atraso. O Brasil já é atrasado e o povo, submisso àqueles que almejam poder e dinheiro, quer andar ainda mais para trás.  Confesso que odeio a falta de Educação. Não a falta de etiqueta, mas a falta de um ensino decente, mesmo.  Odeio também o descaso com os direitos humanos básicos. Pior que esse descaso só a burrice de classificar toda reivindicação como “mimimi”. Odeio o abuso, tão comum por aqui, mas adoro nossa informalidade... até que ela se torne abus...

A nova era da truculência

Primeiro momento Duas mulheres passeiam no Aterro do Flamengo. De repente, deparam-se com a seguinte cena: dois homens com cerca de 35 anos riem ao pé de uma árvore. Um deles segura dois cachorros de porte médio. Um dos cachorros late e rosna para um gatinho que está amedrontado no alto da árvore. As duas se chocam com a situação e uma delas resolve ficar debaixo da árvore, entre os cachorros e o gato, bem de frente para os homens. Ela decide tentar um diálogo: – Com licença, mas você deve ter visto esse gatinho aqui em cima da árvore. O cachorro rosna mais. O homem segurando a coleira diz: - É a lei da natureza, cão e gato. - Mas ele tá morrendo de medo porque seu cachorro não para de latir. - Eu tenho culpa se abandonam os gatos aqui? A culpa é minha? - Não, mas você não precisa deixar seu cachorro atacar os gatos. - Meu cachorro tá atacando algum gato? - Não, mas tá latindo enlouquecido, louco pra atacar. O gato pode cair da árvore.  ...

Bem-vindos à Zumbilândia

Os políticos, de tempos para cá, têm radicalizado a aposta de dividir para governar. Há anos o nosso país foi dominado pela retórica do “nós contra eles”, mas agora se chegou a um nível nunca antes visto. Um discurso de posse absolutamente agressivo, praticamente apenas atacando os setores derrotados da eleição, foi algo que nunca vi nesses meus 49 anos de vida. Fico pensando cá comigo se as pessoas vão continuar aplaudindo tal comportamento, se a testosterona vai continuar em alta e nunca mais ouvirei nesse país as pessoas falarem em paz, amor, bem estar social, igualdade, dignidade, cidadania, direitos humanos. De repente, tudo que remete à harmonia virou “fraqueza”, “mimimi”, “papo de comunista”. A incapacidade de exercer o pensamento crítico da maioria também é impressionante. A massa acredita em tudo, absolutamente tudo que seja veiculado pelo lado dos bolsonaristas, por mais estapafúrdio que seja. E tudo que os desabone é desacreditado, mesmo os fatos (a corrupção ...