Dizem que Deus é brasileiro,
mas eu tenho a nítida impressão de que ele não mora aqui. O.K., vá lá, vamos dar uma chance ao senso comum: mesmo que Ele more no
Brasil (afinal, dizem, Ele mora em qualquer lugar), a gente percebe que quanto
mais ateu é um país, mais feliz é o povo. São as pesquisas que dizem. Hoje
medem não só índices econômicos, mas também a felicidade. E o povo mais feliz
do mundo é o finlandês, que liga pouquíssimo para a religião. Aliás, a
religiosidade excessiva pode explicar muito desse nosso atraso. O Brasil já é
atrasado e o povo, submisso àqueles que almejam poder e dinheiro, quer andar
ainda mais para trás.
Confesso que odeio a falta
de Educação. Não a falta de etiqueta, mas a falta de um ensino decente,
mesmo. Odeio também o descaso com os
direitos humanos básicos. Pior que esse descaso só a burrice de classificar
toda reivindicação como “mimimi”. Odeio o abuso, tão comum por aqui, mas adoro
nossa informalidade... até que ela se torne abuso, claro.
Às vezes penso em morar no
Uruguai, em Portugal, em Nova York... mas eu teimo, resisto, insisto. Tem
aquela frase idiota “Sou brasileiro, não desisto nunca”... talvez por ser
brasileira eu não desista do Brasil. Amo a nossa arte, amo a nossa produção
intelectual, embora me sinta cercada de ignorância por todos os lados. Acho que
não tenho nada a aprender com quem pensa que estamos no fim dos tempos e que um determinado político é o Messias.
Gosto desse país como um mal
necessário. Quero produzir nessa terra. Quero ver, diante de mim, olhos
brilhantes, ávidos por conhecimento. E quero fazer os donos desses olhos
sorrirem. Isso pode parecer pouco, mas na atual conjuntura, é muita coisa.
Luciana Guerra Malta – 14/01/2019
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