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50 são os novos 30

"50 são os novos 30": essa frase entrou tanto na moda que virou até título de um filme francês que passou há pouco tempo. Esse filme se chamava originalmente "Marie-Francine", que é o nome da protagonista. Bem, o título brasileiro, claro, foi um lance de esperteza, de apelo comercial, mas no fim, caiu como uma luva porque a personagem principal, a já citada Marie-Francine, de repente descobre que o marido quer o divórcio porque se apaixonou por uma mulher que podia ser filha dele. Na sequência, ela perde o emprego de pesquisadora - bióloga - e acaba tendo que ir morar na casa dos pais, que por sua vez, a tratam como uma menina incompetente. Por fim, ela acaba namorando um cara de 50 que também teve que voltar pra casa dos pais porque faliu. 

O filme é uma comédia romântica gostosa de se ver, e eu recomendo. Mas além de ser um filme divertido, ele fala de uma coisa que tá acontecendo no mundo todo. Graças à crise, mundial, quanta gente com mais de 50 não teve que voltar pra casa dos pais? Depois de uma separação, principalmente. Daí, eu pergunto, e os sonhos da gente, onde é que ficam, o que a gente faz com eles? O que a gente faz quando a gente verifica que existe um verdadeiro abismo entre a nossa expectativa e a realidade?

Vou falar do meu caso. Quando eu era mais nova, até os 20 e pouquinhos, eu sonhava que, aos 40, ia ser mãe de 3 filhos, ia estar casada com um cara rico, morando na Inglaterra, ia ser uma escritora famosa... essa era a expectativa. A realidade: eu tô fazendo 49 anos, sou solteira, não tive filhos, definitivamente não sou rica, moro no Rio de Janeiro, num apartamento pequenininho e no momento eu tô sem ocupação formal. Tudo bem diferente do que eu sonhava. Mas... eu não casei porque não quis, tô muito feliz namorando; não tive filhos por opção; não tô empregada, mas deixei um trabalho que não me satisfazia e tô investindo no meu sonho de viver do que eu escrevo.

A minha trajetória é a seguinte: já publiquei romances, tive peças de teatro encenadas, agora estou escrevendo roteiros de humor pra vídeo, entre outras coisas. Enfim, eu não estou no lugar onde eu imaginava estar, mas mesmo assim, eu encontro muitos motivos pra estar feliz no lugar onde eu estou. E eu realmente não sei se estaria mais feliz na Inglaterra, rica, com três filhos. Muita coisa ia ser mais fácil, mas outras coisas seriam mais difíceis também, porque por tudo se paga um preço. Se tem uma coisa que a gente aprende com a maturidade é isso.

Eu sei é que, à noite, quando eu estou sozinha em casa, na frente do computador, escrevendo, me dá uma paz que eu não sei se eu teria se a minha vida tivesse tomado outro rumo. Aí, quando eu ponho o ponto final no texto, eu agradeço intimamente por tudo que estou vivendo nesse momento. Eu agradeço pelo fato de a minha vida ser exatamente como é.

Então, os 50 podem ser os novos 30, sim. Os 50 podem ser um vasto campo cheio de possibilidades. Se você chegar aos 50 feliz no seu casamento, feliz no emprego, ótimo, mas se você chegar aos 50 sentindo que a sua vida tem muitas lacunas pra preencher, não veja isso como algo negativo. Veja isso como um sinal maravilhoso, divino, de que você ainda tem muito pra viver, que as possibilidades são infinitas e que as coisas vão depender de onde você vai colocar seu foco e sua energia. Eu, por exemplo, às vésperas de completar 49 anos, resolvi inaugurar um canal no You Tube pra trocar experiências sobre essa fase maravilhosa que é a maturidade.



O importante, como diz a sabedoria popular, é que se o presente não fosse bom, não se chamaria presente. E o futuro? O tempo vai passar de qualquer forma. O futuro vai chegar, de qualquer jeito, pra se tornar passado no próximo instante. Por isso a gente deve se lembrar sempre da música do Gilberto Gil e repetir como um mantra o seguinte trecho: o melhor lugar do mundo é aqui e agora. 
 

Luciana Guerra Malta- 27/09/2018

Comentários

  1. Nossa! Perfeito esse tema. Com certeza irá ajudar muitas pessoas que se sentem com medo da idade e a idade está na cabeça e não no corpo.

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