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Política: entre a razão e o coração


Política é também paixão, mas ao contrário dos assuntos do coração, a gente não pode dizer “não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”. Quando você está apaixonado por alguém, pode aparecer a pessoa mais maravilhosa e você nem se interessa. Já em política, a informação é fundamental porque nossas escolhas vão ter impacto nas nossas vidas no mínimo nos próximos quatro anos, então quanto mais a gente ler, refletir, ponderar antes de escolher o voto, melhor.


Voto escolhido, vem a parte de defender suas ideias. Tem gente que é mais reservada; tem gente que gosta de fazer propaganda. Quem gosta de expor suas ideias deve estar preparado pras opiniões contrárias, afinal todo mundo tem suas próprias razões pra votar nesse ou naquele candidato. Eu, particularmente, tento aceitar as opiniões contrárias, mas nem sempre o meu humor está tão bom, infelizmente e, já aconteceu até de me excluírem no Facebook por causa de um comentário meu mais incisivo. ou por causa do meu posicionamento político. Ou então, acontece de eu sair de algum grupo do Whatsapp. Esse mês mesmo eu saí de dois grupos. OK, as eleições passam e as pessoas ficam, mas quem não fica, eu creio que não é para ficar mesmo. Pessoas que você conhece profundamente não vão sair da sua vida porque vocês votam em candidatos diferentes, e tem outra coisa, você não precisa de rede social nem grupo de Whatsapp para se comunicar com essas pessoas que são intimamente ligadas a você, que são suas amigas de verdade ou são familiares queridos.  De qualquer forma, eu sei que até agora as pessoas que eu “perdi” não fazem falta. Em relação aos grupos dos quais eu saí, eu creio que posso voltar depois das eleições, mas talvez nem volte, porque eu acabei observando uma coisa: esse tempo que a gente gasta trocando mensagens ou farpas, dependendo do caso, esse tempo a gente pode gastar lendo, por exemplo. Porque no Whatsapp, sobretudo, o que a gente mais vê é notícia falsa, então você pode gastar esse tempo que você gastaria lendo notícias falsas e vendo vídeos falsos, se informando em jornais, revistas e sites de notícias. Nesses lugares, você vai ver o que o seu candidato falou e, não, o que alguém diz que ele falou. É muito importante você não deixar que os outros façam a sua cabeça, que tirem conclusões por você. 


Tem uma escritora americana chamada Marianne Williamson que escreveu um texto que acabou ficando muito famoso: “Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta. Nós nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?... Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo”.


Então, dê o melhor de você, se empenhe, pesquise, para votar da melhor maneira possível.  E carregue esse empenho, essa confiança na sua capacidade de fazer a melhor escolha para todas as esferas da sua vida.

Luciana Guerra Malta - 13/10/2018

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