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Você quer políticos honestos? Seja honesto!


Brasileiro: o povo mais ingênuo

Segundo recente levantamento do Instituto Ipsos, 62% dos brasileiros acreditam em notícias falsas. E o meio onde elas proliferam aqui no Brasil, como vimos nas últimas eleições, é o Whatsapp.

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O Whatsapp no Brasil
 
O aplicativo tem 120 milhões de usuários ativos no país.
66% dos eleitores brasileiros compartilham notícias políticas por meio dessa rede social, segundo o Datafolha.
O Brasil é o segundo país do mundo mais conectado ao WhatsApp (atrás apenas das Filipinas).

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Dizer a verdade deixou de ser importante

Quando eu era criança, dizia-se sempre que mentir era feio. Nunca mais ouvi pais condenando os filhos por mentir com a energia que se condenava antes. Mentir era um fato grave. Hoje, na sociedade, parece que a mentira banalizou-se. O problema parece não ser mais mentir, mas ser pego na mentira. Se deixar pegar é o grande pecado... Mas nem tanto, porque, dependendo de sua posição, basta pedir perdão.

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Quem não lê, não consegue ver

É claro que os 62 por cento dos brasileiros que acreditam em notícias falsas o fazem por falta de informação ou de "repertório", como se diz. O índice de leitura do brasileiro é baixíssimo. E quando digo ler, falo de livros, matérias na imprensa. Porque as pessoas que acreditam em mentiras de Whatsapp são as que leem, basicamente, mentiras de Whatsapp.
Interpretação de texto é algo que só se aprende na prática. Quem não lê (e livros de autoajuda e mensagens de texto não contam) é incapaz de juntar os fatos e fazer uma leitura crítica. Ou seja, a pessoa, quando se depara com dados mais complexos, simplesmente não consegue entender seu significado.

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Vida de gado

Outro dia recebi no Whatsapp uma notícia que falava de números catastróficos do déficit público e que dizia que, mesmo que o Brasil vendesse todas as suas estatais, não pagaria a sua dívida. Outro dia também recebi um vídeo dizendo que o nióbio da Amazônia iria salvar o Brasil.
Ora, nem o Brasil está nesse buraco que querem nos fazer crer que está, nem o nióbio que ressuscitaram da época da Amazônia é capaz de render mais do que a floresta amazônica preservada. Análises do economista Bernardo Strassburg, diretor do Instituto Internacional para a Sustentabilidade e professor da PUC-Rio, mostram que os serviços ambientais proporcionados pela Amazônia e pelo Cerrado geram mais recursos econômicos que a substituição da vegetação nativa por culturas como a soja ou a pecuária (Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/floresta-preservada-vale-mais-que-terra-desmatada-diz-estudo-23191665). Quanto a essa ode ao nióbio, ela parece vir, basicamente, ao encontro de setores que querem explorar a Amazônia sem poupar sua vegetação. 

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Você quer políticos honestos? Seja honesto!

Enfim, não adianta cobrar honestidade de políticos e compartilhar uma notícia sem se preocupar se ela é falsa ou não. Nós só vamos ter mais honestidade nesse país quando a honestidade for um bem, um valor que se preze. Em lugares onde a corrupção (praticamente) inexiste o que vemos é a verdade colocada como um bem supremo.
O problema é que, a cada dia, as mentiras vão ficando mais presentes em nosso cotidiano. De tal forma que se torna cada vez mais difícil identificar a verdade. Deveria haver um esforço nacional no sentido de a verdade ser colocada acima de todas as coisas. É claro que sem amor não se vive, mas sem verdade, não há amor. E por amor ao próximo e por amor ao país, podemos nos comprometer a agir com verdade, a falar a verdade.
É preciso entender que a corrupção faz parte de toda uma cultura da mentira. Só o exercício cotidiano da verdade pode nos tornar fortes o bastante para levar a corrupção a índices significativamente mais baixos.

Luciana Guerra Malta - 13/11/2018




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