Há tempos ando intrigada com
uma coisa: toda vez que atualizo meu blog, aparecem nas estatísticas visitas da
Rússia. São poucas, mas persistentes, o que me leva a crer que devem ser de um
único seguidor, isto é, um fiel e solitário leitor que veio do frio.
Andei fantasiando sobre como seria o misterioso visitante. Depois de muitos tipos criados, acabei me concentrando em dois.
Primeiro, uma brasileira na casa dos 50 anos. Seu nome é Maria Antônia, Maria Augusta ou um outro nome composto que envolva “Maria”. Ela mora em Moscou há quase três décadas. Foi parar lá por causa de uma bolsa para estudar música clássica – Maria Antônia ou Augusta ou coisa que o valha é violinista. Acabou casando com um músico – um violoncelista que adora vodca. Quando Vladimir, seu marido, toma um de seus costumeiros porres, ela é acometida por uma saudade atroz do Brasil. Antes, nessas horas, devorava livros e revistas. Agora navega pela internet lendo tudo que vê escrito em português. Numa dessas, achou meu blog. E gostou porque eu costumo falar de contradições e solidão e amor e essas coisas muito lhe tocam.
O segundo personagem é um russo de seus 30 anos, Mikhail. Ele é brasilianista, fala português fluentemente e sonha sempre com a praia de Copacabana. Já foi à África, mas ainda não teve coragem de vir ao Brasil. Ele diz que a passagem é muito cara, mas na verdade tem medo de se decepcionar. Pressente que espera demais, que o país que imagina há de ser muito melhor do que o Brasil real. Ele gosta do meu blog porque eu falo de aspectos do país que ele não vê normalmente. Ele acha que há algo de estranho nos meus pontos de vista e isso, para um estudioso, é sempre instigante. Da mesma forma que acontece com o país, ele também não tem vontade real de me conhecer. Ele acha que eu devo prometer mais do que sou capaz de cumprir. Essa parte, Mikhail teria dificuldade de explicar, mas o fato é que ele se tornou muito arisco com as mulheres depois que sua namorada Irina o deixou para ficar com seu melhor amigo, Karl.
Foram esses dois personagens que minha imaginação pintou com detalhes. Na verdade, creio que Freud bem poderia dizer algo como “quando Luciana me fala dos personagens que imagina, sei mais sobre Luciana do que sobre os personagens que ela imagina". Pois é.
Andei fantasiando sobre como seria o misterioso visitante. Depois de muitos tipos criados, acabei me concentrando em dois.
Primeiro, uma brasileira na casa dos 50 anos. Seu nome é Maria Antônia, Maria Augusta ou um outro nome composto que envolva “Maria”. Ela mora em Moscou há quase três décadas. Foi parar lá por causa de uma bolsa para estudar música clássica – Maria Antônia ou Augusta ou coisa que o valha é violinista. Acabou casando com um músico – um violoncelista que adora vodca. Quando Vladimir, seu marido, toma um de seus costumeiros porres, ela é acometida por uma saudade atroz do Brasil. Antes, nessas horas, devorava livros e revistas. Agora navega pela internet lendo tudo que vê escrito em português. Numa dessas, achou meu blog. E gostou porque eu costumo falar de contradições e solidão e amor e essas coisas muito lhe tocam.
O segundo personagem é um russo de seus 30 anos, Mikhail. Ele é brasilianista, fala português fluentemente e sonha sempre com a praia de Copacabana. Já foi à África, mas ainda não teve coragem de vir ao Brasil. Ele diz que a passagem é muito cara, mas na verdade tem medo de se decepcionar. Pressente que espera demais, que o país que imagina há de ser muito melhor do que o Brasil real. Ele gosta do meu blog porque eu falo de aspectos do país que ele não vê normalmente. Ele acha que há algo de estranho nos meus pontos de vista e isso, para um estudioso, é sempre instigante. Da mesma forma que acontece com o país, ele também não tem vontade real de me conhecer. Ele acha que eu devo prometer mais do que sou capaz de cumprir. Essa parte, Mikhail teria dificuldade de explicar, mas o fato é que ele se tornou muito arisco com as mulheres depois que sua namorada Irina o deixou para ficar com seu melhor amigo, Karl.
Foram esses dois personagens que minha imaginação pintou com detalhes. Na verdade, creio que Freud bem poderia dizer algo como “quando Luciana me fala dos personagens que imagina, sei mais sobre Luciana do que sobre os personagens que ela imagina". Pois é.
Luciana Guerra Malta –
09/05/2015
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