O amor nasce com beijinhos e toques e corpos que se
entrelaçam entre pressentimentos, transmissões de pensamento, incompreensões,
dilemas, desconfianças, arrepios. O amor nunca é idílio; quando nasce é sempre
infernal – doce inquietude é uma boa expressão para defini-lo. Quando ele se
torna sinônimo de paz é porque já morreu e se amalgamou com sua irmã mais velha,
a amizade. Tudo é bom. Amor, amizade. Talvez o ideal seja que o irmão mais novo
e travesso ande junto com sua irmã mais velha. Mas o amor resiste e só dá a mão
para quem quer.
Semana passada assisti ao filme "Vitória" e, ainda que, com alguns dias de intervalo, não consigo deixar de falar do que vi. O filme é da Fernanda Montenegro, aliás, o filme é a Fernanda Montenegro, porque sua figura é onipresente. E brilha, brilha o tempo inteiro. Nenhum gesto seu é em vão e nada sobra, nada falta. Fernanda é perfeita (a gente bem sabe). O filme é construído com cuidado, em um tempo lento e meticuloso que quase não se vê mais no cinema. Confesso que em determinado momento pensei que se poderia cortar aqui ou ali, mas não, aquele passo mais lento, condizente com o ritmo de quem viveu tanto que se pergunta se já não viveu demais, resultou no tempo necessário para mostrar a rotina da personagem Nina. Sua solidão, sua invisibilidade. Porque é mesmo impressionante como as pessoas deixam de enxergar os idosos. Relevam suas palavras, suas vontades, suas necessidades, sua existência. É quase como se decretassem "Fica no seu canto, esperando a morte, e não enc...
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