Nem tudo é para ser. Nem tudo é. Mas sempre se pode
fazer do improvável uma concretude. O problema é que o improvável pode assumir a forma de um
minotauro ou unicórnio... daquelas criaturas mitológicas que chamamos de
imaginárias. E para os pragmáticos, seres que não podem ser tocados não
existem. Ora, eles esquecem que tudo, no que diz respeito ao homem, começa
com a imaginação. Aliás, dizem que o próprio homem começou assim: na mente de
Deus.
Semana passada assisti ao filme "Vitória" e, ainda que, com alguns dias de intervalo, não consigo deixar de falar do que vi. O filme é da Fernanda Montenegro, aliás, o filme é a Fernanda Montenegro, porque sua figura é onipresente. E brilha, brilha o tempo inteiro. Nenhum gesto seu é em vão e nada sobra, nada falta. Fernanda é perfeita (a gente bem sabe). O filme é construído com cuidado, em um tempo lento e meticuloso que quase não se vê mais no cinema. Confesso que em determinado momento pensei que se poderia cortar aqui ou ali, mas não, aquele passo mais lento, condizente com o ritmo de quem viveu tanto que se pergunta se já não viveu demais, resultou no tempo necessário para mostrar a rotina da personagem Nina. Sua solidão, sua invisibilidade. Porque é mesmo impressionante como as pessoas deixam de enxergar os idosos. Relevam suas palavras, suas vontades, suas necessidades, sua existência. É quase como se decretassem "Fica no seu canto, esperando a morte, e não enc...
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