Ela anda ansiosa. Resolve, então, tirar uma carta do tarô. A
primeira carta que vem é O Mundo. Ela pensa logo que talvez seja sinal de que o
mundo ficará a seus pés e, de fato, descobre no livro presenteado por um
ex-namorado que O Mundo simboliza o sucesso, a vitória e a perfeição em
qualquer empreendimento. Aquilo já era auspicioso, mas o que a carta
significaria exatamente no amor? Mais duas páginas e aprende que a carta
significa que o casal alcança o entendimento de todos os defeitos e qualidades
um do outro. Significa, enfim, a superação de todas as diferenças ou "o
final feliz dos contos de fadas, em que o amor passa por várias provações e no
final dá tudo certo".
Ora, nasce um conflito dentro dela: por um lado, não quer se
deixar levar e dar valor a esse tipo de coisa; por outro, quer acreditar plenamente
que existe alguma razão nessas coisas absolutamente irracionais, como tarô, ou
horóscopo, ou quiromancia.
Seu signo combina com o meu, pensa... e quem sabe nossas
linhas da vida andem paralelas. Ih, talvez isso não seja bom... paralelas nunca
se cruzam. Espera, elas se cruzam no infinito... e o infinito não acaba, o
infinito é para sempre!
Feliz, ela vai para a janela. Olha as luzes, que parecem
mais brilhantes do que há poucos minutos. Ela pensa que viver é como entrar no
cassino e jogar na roleta. Afinal, ela só precisava apostar...
- E se eu perder?
Feita a pergunta, olha a lua.
- Saio do cassino sem nada.
Para um instante.
- Livre para viver tudo.
Abre um sorriso.
- E talvez, tudo de novo...
Então, ela se volta para dentro de casa, pega o batom, vai
para a frente do espelho e colore a boca. Antes de sair, guarda a carta. Sai
sem olhar para trás, com O Mundo no bolso.
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