Semana passada assisti ao filme "Vitória" e, ainda que, com alguns dias de intervalo, não consigo deixar de falar do que vi. O filme é da Fernanda Montenegro, aliás, o filme é a Fernanda Montenegro, porque sua figura é onipresente. E brilha, brilha o tempo inteiro. Nenhum gesto seu é em vão e nada sobra, nada falta. Fernanda é perfeita (a gente bem sabe). O filme é construído com cuidado, em um tempo lento e meticuloso que quase não se vê mais no cinema. Confesso que em determinado momento pensei que se poderia cortar aqui ou ali, mas não, aquele passo mais lento, condizente com o ritmo de quem viveu tanto que se pergunta se já não viveu demais, resultou no tempo necessário para mostrar a rotina da personagem Nina. Sua solidão, sua invisibilidade. Porque é mesmo impressionante como as pessoas deixam de enxergar os idosos. Relevam suas palavras, suas vontades, suas necessidades, sua existência. É quase como se decretassem "Fica no seu canto, esperando a morte, e não enc...
Na véspera do Ano Novo, o porteiro do meu prédio me pergunta: Sabe qual é a diferença entre 2024 e 2025? Antes que eu responda, ele completa: Nenhuma. É só trocar o 4 pelo 5. Eu sorrio, sem dizer nada. A minha cabeça fervilha porque, por mais que eu diga que na virada do próximo ano vou ser racional, não adianta. Eu sempre entro no modo euforia pelo ano que vai chegar. É um estado de espírito em que cabe do romance perfeito ao Oscar, do peso ideal ao tempo para fazer absolutamente tudo que eu quiser. O interessante é que nesse modo euforia só cabe o que corresponde ao meu desejo. Surpresa? Só se for notícia boa. No modo euforia não existe perda, tragédia, decepção, frustração... Pela primeira vez não fiz listas e acho que isso é uma evolução no sentido de passar do modo euforia para o modo deixa a vida me levar, preconizado pelo nosso grande filósofo Zeca Pagodinho. Na queda de braço entre o modo vida leva eu e o modo dona do meu caminho, pressinto que existe o modo e o que me importa ...