Esse ano uma amiga disse que me desejava um monte de
coisinhas boas. Coisinha boa, para mim, vai desde pão francês quentinho até
abraço de amiga, cafezinho com minha mãe, papo com os amigos, beijo na boca,
mão na mão, olho no olho, música vibrante, chocolate, mate gelado, bolo
fresquinho, salada colorida, passeio na floresta, banho de mar, livro, peça de
teatro, filme, série, meditação... Quando a gente vê, o monte de coisinhas
virou uma montanha. Aí, a gente sobe no topo e olha tudo de cima. Começo de ano
melhor, posso garantir, é impossível.
Não que 2023 tenha sido fácil. De jeito nenhum. Esse foi um
ano esquisito. Parece, aliás, que todos os anos depois da pandemia ficaram
esquisitos. Tudo menos intenso. Mas isso pode ser eu. Parece que a gente chega
a uma determinada época da vida em que acha que as coisas não são mais tão
intensas no mundo porque não são mais tão emocionantes para a gente. Não
estamos mais descobrindo coisas a todo instante, não estamos mais tão dispostos
a arriscar. Quem não arrisca, não petisca. Então, petiscamos menos e reclamamos
mais.
Recomendo que a gente zere esse contador. Vamos parar de
olhar para o que passou e vamos olhar para o que virá. Vamos deixar a vida nos
levar. Vamos dizer “sim” sempre que possível. A vida se renova não apenas fora,
mas dentro da gente. Se a gente se deixar impregnar pelo novo, vai rejuvenescer
de certa forma. E isso é maravilhoso. Ponto.

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